Mochilão América do Sul (Bolívia, Chile e Peru) - Parte IV - Salar de Uyuni: as maravilhas do deserto de sal com muito perrengue envolvido



Helloooou again!

Retomando de onde paramos, 04/11 estávamos na rodoviária de Sucre para pegarmos o ônibus para Uyuni. Dois pontos importantes aqui: 1) na rodoviária é obrigatório pagar a taxa de embarque que você compra separado num guichê lá embaixo perto dos embarque (nessa a taxa foi 2,50 BOB) 2) O embarque pra Uyuni é atrás das baias dos ônibus, isso é bem importante quase perdemos o ônibus porque não o achávamos e não ficava claro nas explicações dos funcionários onde era: na rodoviária normalmente tem aquelas baias na diagonal uma ao lado da outra onde vão parando os ônibus, o embarque pra Uyuni é atrás dessa baias, parece bem clandestino e arcaico mesmo e você não vê o ônibus se não for até lá atrás.

Dai já começou nosso primeiro perrengue, parece que eles não tem controle das passagens vendidas e tem bastante nativo no ônibus, a galera vai espremida, sentada no corredor, sentada em bancos de plástico, cheio de criança, pessoas comendo comidas com cheiros duvidosos e por aí vai... Fora o frio! Meu Deus, a viagem dura a noite inteira é quase impossível dormir e o ônibus para uma vez no meio da estrada num clima congelante para a galera ir mijar no meio do mato mesmo (até as bolivianas, que usam umas roupas bem características com saia saem lá no meio do nada pra fazer xixi). Chegamos em Uyuni por volta das 4 da manhã. Na descida já ficam várias pessoas oferecendo hostel e o passeio para o deserto, mas num combo e bem caro. Estávamos muito cansados e morrendo de frio, nos desvencilhamos da muvuca e fomos achar um hostel pra dormir por 3 horinhas. Ficamos num bem simplão mesmo e meio sujinho que abriu pra gente nesse horário pagamos 35 BOB pra ficarmos até o amanhecer, de onde iríamos tomar um banho e já partir na busca de uma agência para fechar o tour no Salar.

No dia 05/11 fomos então fechar o passeio de 3 dias e 2 noites no Salar de Uyuni. Os tours basicamente fazem o mesmo roteiro porém os preços variam muito de empresa pra empresa. Para mochileiro raiz mesmo dos que não importam com chiqueza e querem mesmo é preço baixo (como nós) o passeio fica por volta de 94 dólares. Nós fechamos com a Thiago Tour, uma empresa de um brasileiro que não estava lá, mas o vendedor que nos recebeu explicou direitinho o que estava incluso, os carros a olho de vista estavam em boas condições e assim nós fechamos pagando 650 BOB cada. NÃO RECOMENDO ESSA EMPRESA pelos motivos que vocês vão ler ao longo desse relato.
Tour que fechamos com as taxas adicionais explicadas

Primeiro de tudo acaba que você tem que contar com a sorte de cair com um motorista legal e com um grupo de viagem gente boa também. Nós tivemos 50% de sorte nesse quesito kkk. Pra começar os carros são caminhonetes 4x4 com 6 passageiros (idealmente, no nosso foram 7 :rindodenervoso:). O motorista é muito importante nesse tour, pois por 3 dias ele será além de motorista, seu guia, cozinheiro, e tudo mais que for preciso. Aí que veio nosso azar: nosso motorista era grosso, mal educado, sarcástico e sem paciência. Foram 3 dias tendo que ouvir suas músicas bolivianas locais (muita sofrência até pra mim que sou mineira e gosto de uma) e trocando com eles frases monossilábicas. Calma que nem tudo foi perdido, pelo menos nosso grupo além de mim, Elvis e André contou com mais dois casais peruanos super legais e que foram a salvação tornando essa viagem mais prazerosa e agradável.

Após fechado o pacote eles nos levaram para tomar café e nós aproveitamos para trocar dólares e comprar algumas coisinhas pro passeio. Saímos então por volta de 10:30/11:00 para a primeira parada do tour que é o Cemitério de Trens. Ele ainda é perto da cidade e é uma parada mais para que todos tirem fotos, tem bastante turista e carros lá começando o tour também.

Os mineiros e os trens

Cemitério de trens


O guia nos deu um tempo para tirar foto e depois disso nós voltamos à cidade, onde ele parou em frente a agência para arrumar algumas coisas e realmente partimos deserto a dentro.

O Salar de Uyuni é o maior deserto de sal do mundo, ele fica a 3600 m de altitude e são percorridos cerca de 500km de Uyuni (Bolívia) a San Pedro de Atacama (Chile) com paisagens diversas e de tirar o fôlego. Foi de longe um dos lugares mais lindos que já vi na minha vida, fazendo valer todos os perrengues enfrentados hehe.

Salar de Uyuni: o maior deserto de sal do mundo

Como já saímos tarde nossa primeira parada foi para almoçar, num salão na casa de nativos, comida simples mas tragável. Depois disso ficamos um tempo andando em umas barraquinhas de onde já se podiam comprar vários presentinhos do deserto como miniaturas de lhamas e diversos tipos de sal do Salar. Voltamos então pra caminhonete e foi depois de um tempo andando que realmente entramos no deserto de sal: é uma imensidão branca no qual não há palavras para descrever! Nós queríamos parar em uma parte que ainda estava parcialmente alagada para tentarmos fazer as fotos espelhadas na qual nesse época não se vê muito lá. E foi daí que veio mais um perrengue, nosso carro atolou em meio ao deserto!!! já começamos o tour tendo que empurrá-lo e de início já rindo muito dessa situação kkk. Foi nesse dia também que tiramos as fotos em perspectiva (vulgo vergonha alheia) em grupo que apesar de tudo ficam bem legais. Outra parada do dia após essa foi na Isla Incahuasi, uma ilha de Cactos no meio do deserto. Paga-se 10 BOB pra poder subir nela, nós optamos por não pagar e ficamos na borda dela tirando fotos e esperando o pessoal.

Salar de Uyuni

Minutos antes de atolar

Atolados

Meus companheiros de viagem

Monumento das bandeiras - Primeiro dia Salar de Uyuni

Primeiro dia Salar de Uyuni


Monumento Dakar - Primeiro dia Salar de Uyuni

 Isla Incahuasi - Primeiro dia Salar de Uyuni
Por do sol no deserto de sal - Primeiro dia Salar de Uyuni

Por do sol no deserto de sal - Primeiro dia Salar de Uyuni
Fotos de perspectiva

O fim do primeiro dia foi em um hotel de sal, hospedagem das mais desconfortáveis que tivemos na viagem. O hotel é todo feito de sal, camas, mesas, etc. Nele paga-se 10 BOB para banho quente (e a sortuda aqui pagou e acabou tomando banho gelado), ao sair do banho por você estar molhada parece que todo o sal do deserto grudo no seu corpo. Tivemos um jantar incluso sopa e um vinho barato. A noite no deserto é extremamente frio (dãh assim como todos os desertos kkk) e as camas por serem de sal eram bem incômodas de se dormir.

No segundo dia do salar, 06/11 acordamos as 6 da manhã e tomamos o café (até que não estava ruim). Esse é um dia no qual a paisagem já muda (não é mais branco de sal), é um dia completo para vermos Lagunas. Passamos por várias lagunas, uma mais linda que a outra, de diferentes cores e cheias de flamingos. Nosso almoço foi em uma dessas lagunas, preparado pelo motorista e bem ruim por sinal. Mas... o maior perrengue estava por vir justamente nesse dia: NOSSO CARRO QUEBROU NO MEIO DO DESERTO! Ficamos por mais de 3 horas e meia parados no sol quente tentando distribuir os passageiros entre os carros que passavam (que na maioria estavam cheios) e com o nosso motorista de super mal humor, que nada resolvia ou entendia do problema. Os casais conseguiram seguir o tour em outros carros e nós 3 brazucas bobocas ficamos lá em meio ao deserto dançando e cantando para os turistas que passavam (ficamos famosos, fomos até reconhecidos por um deles depois no Peru)... porque brasileiro passa perrengue mas não perde a piada ou o bom humor! kkk. Umas 4 horas depois o Joaquim (nosso motorista) e mais alguns outros finalmente conseguiram consertar o carro e partimos para a última laguna do dia, a Laguna Colorada que fica dentro da Reserva Nacional de Fauna Andina a 4278 metros de altitude, para entrar na reserva é necessário pagar 150 BOB. Por causa da altitude e do deserto lá venta e faz muito frio, fora do comum. Nesse dia todos os carros param para dormir numas acomodações em conjunto dentro dessa reserva, ficamos todos nós do carro em um mesmo quarto. Depois de passado tanto perrengue, já de banho tomado fomos numa vendinha do lado e compramos todas as cervejas e vinhos que tinham nela, foi uma noite super divertida com música, dança e muito portunhol com nossos hermanos peruanos.
Lagunas - Segundo dia Salar de Uyuni




Laguna Honda


Árbol de Piedra - Segundo dia Salar de Uyuni


Laguna Colorada - Segundo dia Salar de Uyuni


07/11 terceiro e último dia do salar, e também o mais pesado em termos de clima e altitude. Acordamos as 4 da manhã (meio ressaqueados) e fomos ver os gêiseres (Sol de la Manana) que ficam no ponto mais alto do passeio a 4850 metros de altitude com temperatura por volta de -10 graus (gelaaaaado). Depois disso paramos numas termas (pros corajosos que se aventuraram a tirar todas as camadas de roupas pra tomar um banho quentinho nelas), do nosso carro somente o Elvis criou coragem. E nossa última parada turística foi em uma laguna que fica atrás do vulcão Licancabur já quase na fronteira com o Chile. De lá partimos para a fronteira e os dois casais retornariam a Uyuni. Mais um mini perrengue aqui, nosso mal educado motorista queria simplesmente nos largar na fronteira, sendo que quando fechamos a agência nos confirmou que lá eles nos arranjavam uma condução até San Pedro de Atacama, brigamos, batemos o pé até que ele conseguiu uma van com lugares vagos, pagamos 70 BOB para esse transfer. Na saída da reserva tivemos que entregar os tickets pagos da Reserva Nacional e na fronteira da Bolívia tivemos que pagar a "taxa" de 15 BOB (que legalmente não é necessária mas preferimos ficar quietos pois todo mundo pagou). A passagem para o Chile é bem demorada, eles abrem mala por mala, mas depois disso o caminho é bem tranquilo cerca de 45 minutos até San Pedro de Atacama.
Geiser Sol de la manana - Terceiro dia Salar de Uyuni


Nascer do sol nas termas - Terceiro dia Salar de Uyuni

Melhor grupo de viagem (ao fundo vulcão Licancabur) - Terceiro dia Salar de Uyuni


Sei que pelo resumo parece que foi mais perrengue do que tudo, mas ao definirmos nosso estilo de viagem já sabíamos que ocasionalmente isso poderia acontecer. Pela maravilha do lugar vale a pena cada sufoco, e realmente é muita questão de sorte (que nos faltou um pouco). Antes de tudo é um deserto, e tem que se ter na cabeça que pra mochileiro, não há grandes luxos envolvidos nesse tipo de viagem. Eu faria tudo de novo!

E no próximo post, seguimos com nossa passagem pelo Chile no Deserto do Atacama.

Nos vemos já.

Comentários