Mochilão América do Sul (Bolívia, Chile e Peru) - Parte VII - Peru: Cuzco, tattoos e muito perrengue em Machu Picchu
Fala galera!
De volta as postagens chegamos então numa das partes mais importantes da viagem: Machu Picchu, destino certeiro de todos que viajam ao Peru, lugar que não pode ficar de fora do roteiro. Mas nem pense que tudo são mil maravilhas, tivemos muito perrengue envolvido nessa parte. Vamos por ordem então:
Retomando o relato anterior, no dia 13/11/2018 saímos de Ica com destino a Cuzco pela cia Cruz del Sur. O ônibus atrasou bastante, era pra termos saído umas 5 da tarde mas saímos depois das 19. Foi de todas as viagens de ônibus a mais cansativa que fizemos: 17 horas de viagem, sem nenhuma parada oficial em estradas muito, mas muito tortuosas. Mais da metade do ônibus passou a viagem vomitando (o André incluso, tadinho, o que ele mais fez nesse mochilão foi passar mal nas viagens kkk). Eu tive dor de barriga, ele pararam num pequeno casebre no meio da estrada que tinha um banheiro improvisado sem descarga nem nada, só com baldes de água e foi todo mundo do ônibus encarar esses banheiros. UMA DICA de ouro pra evitar esse perrengue: Ica fica próximo a Lima, cerca de 3 horas, nesse caso compensa desembolsar um pouquinho a mais, ir pra Lima e de lá pegar um vôo pra Cuzco. Vai por mim, o investimento vale a pena.
Finalmente chegamos em Cuzco no dia 14/11 já na parte da tarde, umas 14:30. Cuzco é a base de saída para Machu Picchu e outros tantos passeios famosos do Peru como a Montanha de 7 cores, Vale Sagrado, Lago Humantay e vários outros. Nós desembarcamos na garagem da Cruz del Sur e fomos procurar táxi para a Plaza del Armas ponto principal da cidade. Lá já havia vários taxistas cobrando 15 soles para fazer esse trajeto dizendo ser esse o melhor preço, não acredite neles... saia da garagem e procure os taxistas na rua mesmo, de lá conseguimos esse trajeto por 5 soles. Chegamos então na praça e fomos procurar hospedagem. Na Avenida do Sol os meninos trocaram um pouco de dólar, e nós fechamos a hospedagem num party hostel chamado Inka Wild Hostel, pagamos 30 soles num quarto compartilhado para 5 pessoas. Nós deixamos as malas, tomamos banho e saímos em busca de um bom ceviche e também para cotar preços dos passeios nas diversas opções de empresas que tem lá. Comemos um ceviche num restaurante muito bom e tradicional bem recomendado nas pesquisas que fizemos, era um pouco caro pro nosso orçamento mas valeu a pena, o nome era El Muelle de Toño (tem o face deles aqui). Voltamos depois pro nosso hostel, antes passamos num supermercado que ficava ao lado compramos alguns snacks, água e fomos dormir cedo estávamos todos cansados da viagem do dia anterior.
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| Ceviche no El Muelle de Toño com mandioca frita acompanhando |
No dia 15/11, acordamos um pouco mais tarde, tomamos café da manhã no hostel, voltamos um pouco a dormir e saímos já na hora do almoço. No dia anterior já havíamos cotado preços dos passeios e do próximo ônibus pra Puno e fomos em busca de fechar. Fomos depois disso passear no Mercado San Pedro, que é o mercado central de Cuzco. Ótimo lugar pra comprar lembracinhas, com ótimos preços. Almoçamos (ceviche pra variar hehe, 15 soles no prato e coca). Voltamos para o hostel para aproveitarmos a festa, este dia foi memorável! Bebemos muito no hostel, várias cervejas Cusqueñas e viramos a atração do lugar. Conhecemos um brasileiro muito gente boa, o Rafael que estava trabalhando no lugar com sua namorada argentina Alba. Rafael é um tatuador, e nós, depois de algumas boas cervejas, todos fomos tatuar com ele... SIM! Minha primeira tattoo foi feita no meio do pub de um hostel, com vários espectadores em volta haha. Mas o Rafa é fera, dá uma olhadinha nas artes dele aqui.
Nós tivemos uma noite regada a bebedeira, colocamos vários funks no som do lugar e dançamos bastante. Fomos dormir bem tarde, isso que em poucas horas sairíamos para Machu Picchu.
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| Tatuando no meio do rolê |
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| Sussego na pele |
E no dia 16/11 finalmente partimos para Machu Picchu! Explicando melhor, há várias maneiras de se fazer Machu Picchu: há trilhas de 4 dias, 7 dias, há como ir de trem e há a opção mais barata preferida dos mochileiros pobretões como nós, chamada de Machu Picchu by car (SPOILER não façam isso kkk): Nessa opção você sai de Cuzco de van, e esta van te leva ao ponto mais próximo de Machu Picchu Pueblo (cidade base pra subir a montanha, também conhecida por Águas Calientes) acessível por carro/rodas que é a hidrelétrica de onde você conclui o trajeto por uma trilha na linha do trem. Esse povoado só é acessível por trilha ou por trem, como o trem é bem mais caro muitos escolhem essa opção que combina van e trilha. A partir da hidrelétrica você enfrenta uma trilha de 13,8 km até chegar em tal povoado.
Saímos bem cedo então de Cuzco e pegamos a tal van. É um caminho bem cansativo, são cerca de 7 horas de viagem em uma estrada estreita, super sinuosa e tortuosa (e ainda estávamos de ressaca), os motoristas são meio doidinhos. Paramos em um povoado no meio do caminho para almoçar uma comida bem ruim por sinal, que já está inclusa no preço do passeio que pagamos apesar de que nosso nome não estava na lista, tivemos que rodar a baiana lá mas no final deu tudo certo. Chegamos na hidrelétrica um pouco mais tarde do que o planejado e iniciamos a trilha as 15:20. Num momento inicial há uma escadaria a subir que depois você ingressa nos trilhos do trem. A trilha é bem movimentada cheia de mochileiros e nativos passando por elas, não tem grandes subidas por ser trilhos porém foi muito cansativa, exigiu de mim todos os esforços possíveis, e se eu pudesse voltar atrás não escolheria essa opção: pagaria a mais e iria de trem. Eu pesquisei bastante antes, mesmo sendo sedentária na época todos falavam que a trilha era simples e de boa, mas não foi. Além de andarmos o tempo inteiro em cima de pedregulhos temos que desviar de tempos em tempos do trem que passava. Os meninos que tinham mais pique que eu foram na frente, e ficamos pra trás eu, Nara e Jeferson. Levamos ao todo cerca de 5 horas pra percorrer todo o trecho. No final da trilha, há uma bifurcação, em que você tem que pegar o caminho de baixo, que já é uma estrada de terra e te leva a uma das entradas de Águas Calientes. Pra piorar, nós erramos e fomos por cima, o que tornou a trilha mais longa, tivemos que passar por dois túneis e chegamos por Águas Calientes pela segunda entrada, onde tem a placa da cidade. Encontramos com os meninos na praça principal da cidade e fomos procurar a mulher que ia nos levar para o jantar e acomodação, isso também já incluso no pacote do passeio que pagamos. Jantamos sopa de entrada e trucha de prato principal, estava bem ruim também.
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| Jantar meia boca em Águas Calientes |
Estávamos exaustos, fomos para a nossa hospedagem que ficava próximo ao campo de futebol numa parte mais barata do povoado. Estávamos muito preocupados porque a mocinha que tinha que levar os papéis com nossa entrada de Machu Picchu ainda não havia ido lá, chegamos até a ligar para o cara com quem contratamos o passeio em Cuzco mas no final deu tudo certo. Fomos comer uma pizza perto da nossa hospedagem e também compramos o ônibus para o dia seguinte, que nos levaria ao topo da entrada do parque de Machu Picchu: esse ônibus é pago em dólar, é bem caro mas é necessário, não tínhamos mais forças de enfrentar uma nova trilha já de madrugada, os pés estavam latejando de dor. Você pode optar por comprar também esse mesmo ônibus pra descida que te deixa de volta em Águas Calientes, mas por ser descida todo mundo falou que era de boa, e decidimos economizar também. Inocente eu, essa foi uma das piores trilhas da minha vida, se pudesse voltar atrás pagaria com certeza haha.
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| Acabada depois de 14km e 5 horas de trilha |
Dormimos por poucas horas e saímos bem cedo no dia 17/11, antes das 4 da manhã para pegar a fila do ônibus, DICA cheguem por este horário, a fila é bem grande, não tem prioridade é por ordem de chegada. Conseguimos embarcar no terceiro ônibus. Ele vai subindo a montanha meio que fazendo um zigue e zague até chegar na entrada do parque. Lá na entrada você pode ir ao banheiro por 2 soles e deixar suas mochilas no guarda-volumes por 5 soles. Ao passar pela entrada você já encontra seu guia e começa a explorar a cidade perdida de Machu Picchu.
Mas depois de todos os perrengues só o fato de estar em uma das sete maravilhas do mundo moderno vale todo o esforço e cansaço. O lugar é realmente lindo, místico e mágico. Demos muita sorte, o dia estava claro, lindo e com poucas nuvens. Em todos os relatos que lemos é indicado levar capa de chuva pois costuma chover bastante lá, mas demos sorte. Nosso guia Emanuel ia nos contando sobre a cidade, sua descoberta, sobre a história do povo inca e sobre a arquitetura do lugar. É de tirar o fôlego! Depois tivemos um tempo pra explorar a cidadela, fiz essa parte sozinha, no meu tempo pois estava muito cansado do dia anterior e tirei várias fotos!
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| Macchu Picchu |
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| Machu Picchu |
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| Machu Picchu |
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| Machu Picchu com a galera |
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| Machu Picchu |
E na volta mais perrengue nos esperava: a tal descida que economizamos ao não pagar o ônibus caríssimo era uma escadaria bem longa com degraus altos, e pra quem já estava com os pés latejando de dor da trilha do dia anterior foi pra acabar de vez de doer tudo, coitado dos meus joelhos kkk. Ao acabarmos toda essa descida não se esqueçam: ainda tínhamos os 13,8 km de trilha da volta. Esse foi no automático, nem sentia mais minhas pernas, fizemos até bem rápido em cerca de 3 horas de caminhada já estávamos na hidrelétrica onde almoçamos (mais uma comida ruim) e bebemos bastante água e fomos esperar nossa van chegar. Estávamos bastante aflitos pois tínhamos o ônibus pra Puno as 22:45 da noite, que depois descobrimos que o cara do passeio adiantou pra 22:15 e não ia dar tempo de chegar. Os meninos conversaram com uns gringos de uma van que chegou primeiro, conseguimos trocar de lugar e sair na frente mas no final das contas numa parada no meio do caminho acabamos trocando de volta pra nossa van pois dizem que o motorista era mais rápido, e era mesmo porém um pouco imprudente também. Como já disse o caminho também não era nada fácil, o André vomitou de novo hehe, e pra piorar nosso pneu estourou e tivemos que descer pra trocar. Chegamos finalmente em Cuzco as 21:50 e vimos que não daria tempo de pegar o ônibus pois ainda tínhamos que ir no hostel pegar os mochilões, comer, e estávamos esgotados então decidimos ficar mais um dia em Cuzco. Pegamos um novo hostel, quase em frente o anterior, mais simples e barato só pra descansar o corpo mesmo. Fomos numa pizzaria perto e compramos pizza pra viagem (essas sim estavam maravilhosas) comemos no quarto mesmo e desabamos na cama.
O dia 18/11 foi o dia mais relax de toda a viagem: eu mal conseguia andar de tanta dor nas pernas, como não tínhamos nada programado tiramos o dia para passear a toa em Cuzco: fomos no Mc Donalds, passamos de novo no Mercado San Pedro e fomos para um centro comercial onde conhecemos uns refugiados venezuelanos que tinham um salão lá até fizemos a unha, os meninos cortaram cabelo, com direito a colocar funk proibidão nos altos falantes do shopping kkk e antes de ir para o Terrapuerto (a rodoviária de lá) comemos de novo na mesma pizza do dia anterior. Neste dia conseguimos contatar o cara que nos vendeu o ônibus pra Puno e conseguimos 50% do que pagamos de volta, fomos no Terrapuerto e compramos a passagem direto lá (bem mais barato por sinal, mais da metade do preço das agências). FICA A DICA, comprem direto lá, os ônibus são velhos mas são bons e confortáveis e muuuito mais em conta em preço (inicialmente a gente tinha pago 60 soles pelo trecho, comprando direto lá saiu a 35 soles). O táxi da praça principal ao Terrapuerto fica em torno de 5 a 7 soles.
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| Cuzco |
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| Pizzaria sensacional em Cuzco |
E assim se encerra a parte do mochilão no Peru, já estamos chegando no finalzinho da viagem. Mesmo diante todo perrengue, foi um dos destinos mais lindos de toda a viagem e um clássico da lista dos sonhos de todo mochileiro latino americano.
Nos vemos na próxima já de volta a Bolívia. Qualquer dúvida estou sempre por aqui.
Beijos,













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