Mochilão Colômbia março/2020: San Andres (parte II) - passeio a ilha de 7 cores e impactos do coronavírus sobre a viagem





Oi minha gente,

Pra quem achou que essa viagem seria perrengue free muito se enganou. Vou contar um pouco de como foi nossa ida a ilha de San Andreas e sobre nossa última e sofrida semana em Cartagena.

Então já na minha segunda semana em Cartagena, com antecedência havia comprado passagem low cost para passar um final de semana na ilha de San Andreas. Eu comprei a ida pela Wingo, low cost da Copa e a volta pela Viva Air a outra low cost que opera na Colômbia.

Na sexta-feira 13/03/2020 nós fizemos o check out do Airbnb e já levamos nossas mochilas para o hostel que escolhemos ficar na última semana - fechamos no dia anterior, pelo booking mesmo, após visitar o lugar e conversar com eles sobre a possibilidade de guardarem nossas coisas pelo fim de semana. O hostel escolhido foi o One Day Hostal , que ficava bem próximo ao airbnb que já estávamos, bem na esquina. As instalações são ótimas, o hostel super novinho, descolado, com cozinha compartilhada. Nesse dia eu faltei à aula de espanhol e nós fomos para o aeroporto por volta do almoço para pegar o vôo para San Andreas. A ida de Wingo nos permitia embarcar com uma mochila de 10kg e uma bolsa de 6kg, nós levamos as minhas coisas e da Fernanda no meu mochilão que ficou bem vazio, eram roupas pra somente 2 dias e meio, e cada uma levou uma bolsa a gente passou para a área de embarque sem problemas, não tivemos nem que colocar a mochila na caixinha pra checar dimensão. Já dentro da área de embarque, no balcão da Wingo antes do horário de embarque a gente entrou na fila para comprar a tarjeta de turismo, ticket obrigatório para entrada na ilha de San Andreas. Pagamos cada uma $116800 COPs (dica leve dinheiro trocado, eles não costumam ter troco).

Vista aérea da chegada à ilha

Passando pela imigração da ilha (entrega da tarjeta de turismo)


O vôo é bem tranquilo, rápido cerca de uma horinha. Chegamos em SA já com aquela vista da ilha maravilhosa, a ilha é super pequena, nós escolhemos um hostel bem localizado perto da praia de Spratt Bight o que dava 10 minutinhos andando do aeroporto. Eu RECOMENTO MUITO esse hostel, chamado Alojamientos Neca, ele fica num portão escondidinho ao lado de um supermercado chamado Super Exito. O lugar é super bem cuidado pela Kathe e seu filho, que moram na parte de cima, dá pra ver que eles realmente põem todo carinho e cuidado em tudo lá. Ficamos em um alojamento de 8 pessoas, cada beliche com cortina, tomada, toalhas e armário próprios. A área de convivência em comum tem algumas redinhas, um quintal e até uma horta super bem cuidada por eles que foram uns amores. Ao fazer o check-in eles até dão uma cerveja belga de presente.

Nós chegamos já na sexta-feira de tardinha, fomos ao supermercado comprar água e demos uma volta pela região bem rápida pois já tínhamos reservado um jantar no La Regatta, um dos restaurantes mais famosos e concorridos da ilha. É necessário fazer a reserva diretamente no site deles aqui. O restaurante é muito lindo, com um visual maravilhoso, as comidas e drinks sensacionais, porém bem caro (para o nosso padrão haha). Mas é uma atração que não pode ficar de fora do roteiro ao ir em San Andreas. Nós comemos o prato "Tesoro del Mar"uma cazuela (sopa) de mariscos que vem acompanhada de arroz de coco. Eu bebi um vinho tinto e a Fernanda pediu um Bloody Mary (ela odiou nunca tinha provado kkk). Tem o menu no site também com preços.





Jantar no La Regatta: cazuela de mariscos e vinho tinto

Sobre passeios em San Adreas, nos grupos brasileiros de SA você encontra basicamente duas pessoas que oferecem esses passeios com vários reviews positivos: o David e o Kramelo. Nós tivemos experiências com os dois. Lá também você consegue direto nos píers ter contato com uma infinidade de pessoas vendendo passeios e também pode comprar os mais comuns direto na associação que fica na praia de Spratt Bight. Eu recomendo fechar com esses dois já com antecedência, justamente por já terem costume de atender brasileiros e terem bons feedbacks de muita gente que já foi lá além de que o preço não variou muito pelo que pesquisamos no local.

No sábado 14/03/2020 a gente tinha fechado o passeio de lancha privativa além do aluguel de uma Go Pro com o David. ESSE DIA FOI O MAIS INCRÍVEL DE TODA A VIAGEM. Basicamente é uma lancha com 8 pessoas (a nossa tinha 9) que você passa o dia visitando os principais pontos de passeio no mar de 7 cores, tudo isso open bar. Nós ganhamos 3 cervejas cada, mas eles oferecem caixa térmica e você pode levar sua bebida. Acabou que na nossa lancha só eu, Fernanda e o Caio (amigo brasileiro que fizemos nesse dia) bebiam e além de termos levado bebidas tivemos bastante oferta o dia todo hehe. Esse passeio é surreal de incrível, o grupo escolhe aonde quer ir, quanto tempo quer ficar em cada ponto (há um roteiro sugerido, mas fica tudo a critério do grupo), coloca sua própria música na lancha e bebe o dia inteiro. San Andreas é simplesmente maravilhosa, a cada ponto o mar muda de cor é cada lugar mais incrível que outro. Eu já estive em locais assim surreais de beleza como Tailândia, Indonésia e Vietnã, mas San Andreas me surpreendeu, é o mar mais lindo e incrível que já vi na vida. O Luís foi o capitão do nosso barco, um dos funcionários do David, crioulo nativo da ilha que nos contou muitas histórias e ficou muito amigo da gente. Eu recomendo fazerem os mangues primeiro, que é a parte mais "feinha" do passeio e focar mais o tempo no Acuário e em Johny Cay que são ilhas incríveis no meio do mar de 7 cores. Em Johny Cay é possível almoçar também, mas a gente levou lanchinhos que compramos antes. O passeio sai do "Muele de la policia" e nesse dia também peguei a Go Pro que tinha alugado com o David por 2 dias e meio. Chegamos já a tardinha bem cansadas, tomamos banho e saímos pra comer. Nesse dia combinamos com uma galera brasileira de ir na Cocoloco uma "boatezinha" que tem na ilha mas o cansaço nos venceu e acabamos só comendo e retornando pro hostel.









Bar flutuante no meio do mar de 7 cores

No domingo, 15/03/2020 eu havia combinado com o David de fazer mergulho bem cedinho e fiquei muito desapontada porque ele cancelou bem no dia anterior. Como meu roteiro estava super apertado não consegui fazer o passeio depois (um dos objetivos pra próxima vez hehe). Nós tomamos café e combinamos com o Caio de nos encontrar na porta do hostel as 09:00 que nesse dia nosso plano era alugar um carrinho (mula) pra percorrer a ilha. Esse também é um passeio que TODOS devem ter no seu roteiro quando irem a San Andres: basicamente são carrinhos de golfe automáticos (tem opção de 2 a 6 lugares, tem scooter também) que você paga o aluguel do dia e o utiliza para rodar toda a ilha. Nós fomos ao todo em 4 pessoas, no final do passeio você tem que devolver o carrinho com o tanque cheio assim como recebeu. É um passeio sensacional de ser fazer, a ilha toda pode ser conhecida em questão de horas e você vai parando pra ver a paisagem, tirar fotos, conhecer vários lugares, etc e o legal é que você tem autonomia pra fazer o roteiro e as paradas que quiser. É muito sensacional. A noite, fomos no Mickey Mouse (uma distribuidora de bebidas bem conhecida em Spratt Bright) bebemos uma cerveja e fomos um bar/restaurante bem legal que se chama 80's tem toda uma temática nerd com personagens e tal, comemos um sanduíche cada um e tava bem gostoso.

Fotos tiradas ao passear pela ilha





Na segunda-feira 16/03/2020 nosso último dia na ilha, havíamos combinado com o David de fazer o parasailing, mais um dos passeios incríveis de se fazer na ilha, onde você senta num balanço e é alçado por um barco e fica por cerca de 15 minutos vendo toda a ilha e o mar e suas incríveis cores. Assim que estávamos quase chegando no píer o David novamente nos enviou mensagem dizendo que devido às condições climáticas do dia o passeio não iria acontecer. Ficamos muito desapontadas pois era o nosso último dia e queríamos muito fazer o passeio. Fomos então andando pelo píer e conversando com outros fornecedores de passeios para entender se realmente era verdade o relato do David. Vimos que o parasailing estava sim acontecendo, mas nenhum dos vendedores tinha vaga porque já estava tudo reservado. Foi quando mandei mensagem pro Kramelo, a gente já havia até retornado ao hostel e de última hora ele nos encaixou em um grupo e conseguimos fazer o parasailing (ainda bem, é um passeio caro, mas incrível, VALE CADA CENTAVO). Já na hora do almoço voltamos ao hostel para tomar banho, descarregar as fotos da Go Pro e nos prepararmos para voar de volta para Cartagena. Consegui também fazer umas comprinhas de perfumes e cremes, San Andreas parece um Duty Free ao ar livre, tem bastante opção de lojas nesse estilo. Nós voltamos pela outra low cost a Viva Air, esta já é mais restrita em relação à bagagem e por isso para evitar dor de cabeça optei por comprar bagagem despachada antecipada (uma vez que lá no aeroporto seria beeem mais caro). 




Foi quando começou a última semana em Cartagena... que seria a nossa maior dor de cabeça da viagem. Após voltarmos de dois dias inteiros no paraíso, voltamos para Cartagena em meio aos novos decretos sobre o coronavírus. Chegamos a tardinha na segunda-feira, e a cidade já estava em um clima de guerra: o prefeito havia determinado toque de recolher na cidade com o exército nas ruas mandando as pessoas para casa, fecharam-se a cidade amuralhada e várias outras coisas. Nós saímos rapidinho para jantar e já voltamos com o toque de recolher em ação, que nesse dia era as 10 da noite.

Supermercado com aviso do toque de recolher

Na terça-feira 17/03/2020 na parte da manhã fui na escola como de costume, tivemos aula porém nesse dia já fomos avisados que a partir do dia seguinte a escola fecharia por causa do decreto e teríamos esse resto da semana de aula por Skype. Eu e outros alunos fomos pro Selina e tivemos nossa aula online por lá, nesse dia o toque de recolher foi mais cedo já as 6 horas da tarde. Já se antecipando à volta, eu e a Fernanda pegamos um Uber e fomos à Bocagrande, no shopping e nas feirinhas para já comprar os presentes, cafés, e lembrancinhas de volta. No supermercado já haviam filas, só entravam de 10 em 10 pessoas, de máscara e com higienização. Voltamos ao hostel e ficamos sabendo que ele também fecharia, não poderia mais receber hóspedes e por isso ficaríamos só nós lá e um casal argentino sem funcionário, sem café da manhã, sem nada que planejamos. Parecia um cenário fantasma, do nada tínhamos um hostel inteiro só pra nós duas (o casal foi embora no dia seguinte kkk). Nesse dia nós já começamos ligar na nossas respectivas cia aéreas insistentemente para tentar adiantar nossos vôos e irmos embora o quanto antes uma vez que a situação estava cada vez mais se agravando. Perdi incontáveis horas no telefone e na madrugada, fora a angústia tentando um contato e não conseguia :rindodenervoso:

Na quarta-feira 18/03/2020 fui novamente ao Selina para ter as aulas online e um dos funcionários do hostel nos disseram que estrangeiros não poderiam mais sair na rua, só para se deslocarem ao aeroporto desde que tivessem uma passagem válida em mãos. A situação para viajantes estava caótica, com filas gigantescas no aeroporto, todos na mesma situação tentando voltar aos seus países. Algumas fronteiras neste ponto já estavam fechadas. 


Decreto da prefeitura de Cartagena proibindo estrangeiros de saírem nas ruas


Contato da embaixada sobre o fechamento das fronteiras

Passamos dias agoniantes tentando adiantar os vôos, meu vôo que seria no domingo foi cancelado mais de seis vezes. Toda vez que eu conseguia um contato e adiantava pra uma data anterior (no sábado por exemplo) poucos minutos após o contato com a cia, ele aparecia novamente cancelado. Na sexta-feira então já desesperada com essa insegurança dos vôos, consegui um taxista que me levou ao aeroporto. Lá consegui conversar no guichê da Copa, mas não adiantou muito, atendente dizia que meu vôo no domingo estava confirmado já no app aparecia para mim que estava cancelado. E detalhe! O presidente da Colômbia havia já declarado que as fronteiras do país fechariam neste mesmo domingo, ou seja, se não saísse antes sabe Deus lá quando sairíamos (neste ponto já estávamos até em contato com a embaixada do Brasil em Bogotá, que não podia muito ajudar antes que a data chegasse infelizmente). De tanto ligar no atendimento da Copa, acho que uma das atendentes se compadeceu do meu caso, ela me orientou a dar um jeito de chegar à capital (Bogotá) que de lá ela garantia conseguir uma vaga num vôo para mim. Então do meu próprio bolso, comprei uma nova passagem de Cartagena para Bogotá na sexta-feira mesmo à noite, peguei minhas malas e fui rezando a Deus para que desse certo. Passei a noite no aeroporto (deitada em meio a italianos, argentinos, e outro que neste ponto já estava acampados no aeroportos há dias tentando voltar para casa) e finalmente consegui embarcar para o Panamá no sábado de manhã.

Preparada para passar a noite no chão do aeroporto de Bogotá

O cenário na volta foi surreal, quando passei pelo Areporto de Tocumán na ida, ele estava lotado, cheio de lojas abertas e de gente. Agora na volta tudo estava fechado (as fronteiras do Panamá também se fechariam no mesmo domingo, dia seguinte), somente um dos cafés estava aberto. Mas finalmente consegui embarcar para o Brasil e cheguei em SP na madrugada de sábado pra domingo, um dia antes das fronteiras fecharem UFA!.

A Fernanda teve menos perrengue nesse quesito, pois conseguiu adiar o seu vôo para o sábado e teve ele confirmado de pronto. Mas na sexta quando fui embora ela teve que dormir um dia no hostel sozinha.

Situação nos aeroportos com dezenas de vôos cancelados




Pedindo a Deus na capela do aeroporto do Panamá para que o vôo não fosse cancelado

Enfim, aos trancos e barrancos, chegamos bem, sã e salvas. E mesmo com todos os perrengues do final, foi uma das viagens mais incríveis que já fiz na vida. Inclusive voltaremos no próximo ano então aguardem cenas dos próximos capítulos pois vai rolar mergulho dessa vez ;) 









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